VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


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"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Siderasis fuscata (Lodd.) H.Moore - A Violeta da Aranha-Marrom








Uma espécie interessante, me permitam o prazer
 de apresentar essa desconhecida de todos !

Misteriosa, assustadora, tímida e caseira, tem 
surpreendentes aspectos estéticos, às vezes
brinco: talvez tenha gens de patas de
 aranha no seu passado !

De todas as dezenas de artigos do blog,
 sem qualquer dúvida, este é, 
de longe, o mais acessado.






O nome dessa Commelinaceae foi muito bem escolhido: Siderasis fuscata - " Tem a luz das estrelas e a cor da ferrugem " em tradução livre, nome de planta nobre. Qualquer colecionador de plantas ornamentais, ao colocar o seu olhar treinado sobre ela, percebe logo não se tratar de uma planta qualquer ! Uma das jóias da flora brasileira !


Vegeta sem muita raridade na Mata Atlântica do Sul e Sudeste brasileiros, principalmente na mata de baixada, sempre em solos úmidos e cobertos de detritos da vegetação. Perto dos pés-de-morro são mais freqüentes, vivem bem na sombra discreta onde ainda alguns raios de sol conseguem chegar. Nos lugares onde se estabelece, conferem ao ambiente uma impressão de muita tranquilidade. É uma planta até um tanto sorumbática, cresce com muita morosidade, por fim ao atingir volume termina por esconder por completo o topo do vaso, formando uma densa folhagem, esta às vezes dificulta até o molhamento. As folhas e o aspecto geral são singulares, as fotos mostram bem. É a única espécie do gênero ( Siderasis acaule Raf. é apenas um sinônimo dessa mesma espécie), as outras parentes da mesma família botânica, parecem simplórias perto dessa sedutora. Em comum com elas, tem apenas a mesma cor das flores e a forma conspícua das 3 pétalas em evidência, características dessa família botânica.

Tenho os exemplares dessa espécie vegetando junto com as orquídeas. Gosto muito do jeito da planta e aqui faço uma homenagem sincera à sutileza de sua beleza. Desculpem o excesso de adjetivos, mas considero-a uma das melhores plantas ornamentais brasileiras para interiores. Não se acha facilmente essa espécie para aquisição, seu maior entrave em cultivo é o crescimento realmente moroso, por isso sempre trouxe para casa todos os exemplares postos à venda que vi. Alguns fornecedores de SC oferecem esporadicamente essa planta para o mercado curitibano, quando comprei o primeiro exemplar, logo em seguida encomendei outros diretamente de lá. São raras no comércio!





Os botões florais abrem e fecham sem maiores explicações, faz parte do mistério dessa espécie.


À esquerda um botão por abrir, à direita botões misteriosamente 
fechados após muito pouco tempo abertos.


O principal de minha coleção de Siderasis foi adquirido em 2005, num pequeno horto caseiro de beira de estrada, na cidade de Morretes - litoral do PR. Provavelmente eram plantas originalmente coletadas nas matas da região, e então sistematicamente cultivadas sob as árvores desse local, tudo de modo bem natural e sem maiores cuidados. Terminei por adquirir todos os exemplares do estoque deles em seguidas visitas a esse inesquecível estabelecimento. Também outras plantas interessantes vieram dessa fonte, inclusive Gongoras bufonias, orquídeas que hoje são grandes touceiras .

A espécie é conhecida popularmente e no comércio como Violeta Silvestre ou Trapoeiraba-Peluda, sem muito esforço nos faz lembrar uma violeta africana gigante. A cor e disposição das flores na planta também nos ajudam nessa inevitável comparação; mas nem de longe a Siderasis é parente dessa, os pontos em comum são mera convergência evolutiva. É muito mais conhecida e cultivada fora do país, é conhecida no exterior como Bears Ears ( Orelhas de Urso ), ou ainda e mais comumente como Brown Spiderwort ( Toca de Aranha-Marrom ).


Abaixo algumas das minhas Siderasis, todas cultivadas anteriormente, por anos, próximas a uma grande janela dentro de um apartamento. Os vasos são grandes e as plantas tornaram-s lindas e vigorosas ! Chegavam no novo terraço ! A planta do vaso menor apresenta-se tipicamente como as que recebem mais insolação, folhas mais curtas e grossas, acavaladas umas sobre as outras.




Os botões florais e os frutos ficam bem ocultos dentro da folhagem, estes sugerem - pelo seu aspecto agregado, hirsuto e queratinoso - um ninho cheio de hipotéticas, venenosas aranhas-marrons. Especificamentes nas hastes de botões florais e depois nas de frutos , vê-se sem dificuldade a ilusão de umas 5 aranhas agarradinhas e aninhadas, escondidas dentro da planta. É uma visão desagradável para os desavisados, dá receio mesmo ! Ao se levantar as folhas para ver se a terra está seca e precisando de água, leva-se aquele susto ! Minha secretária, a muitos anos me ajudando na limpeza da casa, não chega perto dessas plantas, pelo sim e pelo não, ela evita o "ninho" .

Não consegui achar uma boa foto desse detalhe das "aranhas" escondidas no "ninho" dentro da planta, nessa foto acima, achada em última hora, vê-se uma flor escondida na folhagem. Com boa vontade, vê-se também o citado "ninho de aranhas" dentro do círculo vermelho. São apenas os frutos ou as flores , ambos peludinhos e cor de aranha - sem qualquer perigo!



Não vou perder a chance de impressionar o caro leitor com essa história toda de medo de aranha! Curitiba é uma das cidades onde há maior ocorrência de aranhas-marrons - capital mundial desse tipo de acidente. Os maiores inimigos cotidianos destas aranhas são os chinelos e as lagartixas, todavia os pequenos répteis morrem de frio aqui, as aranhas não !. São criaturas venenosas, mas pequenas e mansas, não gostam do frio externo intenso e por isso são muito comuns no interior das casas, para onde migram. São caracteristicamente de cor marrom-avermelhada, o mesmo tom dos pelos da Siderasis. Existem mais de 8 espécies diferentes do gênero Loxosceles no Brasil, todas aranhas igualmente venenosas.

A picada, geralmente passa até despercebida, acontece ao acaso e logo transforma-se numa ferida feia. Os postos de saúde daqui possuem soros específicos contra esse veneno, os acidentes são realmente comuns devido a alta frequência dessa aranhazinha perigosa.


Como a cultura local registra o perigo, quase todos têm medo, e sempre se conhece alguém que já foi picado. Então dentro desse cenário de medo geral da aranha-marrom, a nossa exótica planta vira uma grande curiosidade. Fiquem tranquilos, não há qualquer correlação entre a nossa violeta-silvestre e a aranha, não se topam de nenhum jeito, não há vínculos vitais e nem preferências, apenas se parecem !

Podem cultivar sem medo que nunca se viu qualquer aranha perto dessa planta.

As atitudes de receio com relação a espécie não passam de puro medo de aranha !





O veneno dessa espécie é proteolítico e logo degrada os tecidos afetados, por isso a ferida fica tão feia, é pura digestão externa. Os acidentes ocorrem geralmente durante o sono, quando então toma-se contato com o animal involuntariamente, ou ao calçar um sapato sem meia e com aranha dormindo dentro dele.

Se vc ficou impressionado com os poderes de digestão externa da aranha-marrom, é porque vc não conhece a tal da aranha-armadeira ( gênero Phoneutria ); essa sim é um aracnídeo realmente desagradável. Possui patas proporcionalmente grandes , é do tamanho da mão aberta de uma criança. É muito brava e tem o mesmo espírito da fúria da cobra caninana, desafiadora corre atrás de quem se aproxima. Fica escondida pelo meio dos vasos de orquídeas, se alguém se aproximar dela, a aranha fica furiosa e sobe nas patas como aviso do seu mau-humor, invariavelmente põe o orquidófilo, desabonado de chinelo, para correr do orquidário.


O veneno dessa espécie é neurotóxico, diferente da anterior, o da armadeira dói muito mais na picada e posteriormente faz uma ferida bem menor. Quando morava em área rural no interior PR, periodicamente apareciam armadeiras no meu orquidário, era muito desagradável, ficava semanas sem querer mexer nas plantas. Diz o povo do interior: "bananeiras atraem e abrigam as armadeiras "



Parece um alien ! Parece filme de terror !


Todavia, é bom lembrar, a Siderasis é coberta de pelos, esses pelos são compostos em boa parte por oxalato de cálcio e há registros vagos de irritações dermatológicas e alergias devidas ao contato com eles. Toda as Commelinaceae tem a fama de produzir essas reações alérgicas, principalmente as urticárias de contato - nada sério. As duas primeiras espécie abaixo, são as mais próximas do aspecto da Siderasis dentro dessa família botânica. Trandescantia sillamontana e spathacea ( lê-se trandescancia ), são espécies encontradas muito mais facilmente aqui pelo sul do país, entretanto a espécie mais conhecida e comum dessa família, é a super resistente, roxo-azulada e mexicana Setcreasea ( Trandescantia ) pallida.





Tradescantia sillamontana




Tradescantia spathacea

Outra bela espécie que gosto muito, conhecida como abacaxi-rôxo ou moisés-no-berço.
 Trata-se de planta especialmente consagrada à Orixá Oyá ou Iansã , por isso conhecida
 também como Espada-de-Iansã, sendo muito recomendado tê-la em casa.


Setcreasea pallida

A atratividade da Siderasis está na elegância e disposição das folhas, ficam muito bem em qualquer sala ou varanda bem iluminada; também a sua misteriosa floração é atrativa. Suas flores aparecem só no início dos calores de verão, geralmente na primeira quinzena de Dezembro, mas dependendo do local e do calor, pode variar o seu surgimento. Duram muito pouco, mas proporcionam um evento bem marcante !




As flores ficam parcialmente escondidas no meio da planta, a exposição delas depende da quantidade de luz recebida pela planta recebe, com menor luminosidade há maior exposição das flores. Surgem em rácimos - pequenos cachos - ainda mais cobertos de pelos vermelhos protetivos. Geralmente são poucas e nunca há abundância delas, umas 2-3, mas podem ser até 6 por haste floral. Seu grande encantamento advém do fato de surgirem de repente, por razões que desconheço, às vezes fecham no dia seguinte e não mais tornam a abrir. Outras vezes abrem de novo, dois dias depois tornam a fechar, para depois , talvez, mostrarem-se mais uma vez. São muito variáveis e de hábito imprevisível. Dão frutos escondidos por baixo da folhas, são estes os que nos assustam lembrando as aranhas agarradinhas.

As flores são singelas e variam de um roxo-claro até um azul intenso. Ninguém deixa de reparar e de comentar : o "ninho de aranha" deu flor !

Manter a planta em cultivo é muito fácil ! Não gostam de estiagens prolongadas, preferem a sombra clara com até 2hs de sol direto por dia, pode ser até mesmo o sol do meio-dia, mas deve ser uma insolação rápida. Se o sol fortalece e robustece as plantas dessa espécie, ele também tira a elegância formal da planta, os exemplares expostos ao tempo apresentam as folhas mais acavaladas - umas por cima das outras. Quando cultivadas sem sol direto, ou com insolação curtíssima, as folhas ficam mais alongadas e a floração é muito mais bela, porque as hastes florais ficam mais compridas e as flores muito mais expostas. Portanto se você já tem plantas bem estabelecidas e fortes, tente cultivá-las dentro de casa com pouca ou nenhuma insolação direta. Gostam e precisam ser nebulizadas periodicamente, os pelos também servem para captar neblina e orvalho. Se possível, use normalmente a água captada da chuva, e ocasionalmente a mesma com um pouco de fertilizantes diluídos. Evite sempre água da rede em suas plantas de interior, a água da torneira tem muita química e mata a planta aos poucos, salinizando a terra pela periódica carga salina. A água mineral é pior por ser ainda mais carregada de sais naturais! O indicado é recolher a água da chuva e parcimoniosamente usá-la nas regas das plantas de dentro de casa. Ao desejar agradar a uma planta, use água da chuva no molhamento. Se não conseguir captar chuva na sua casa, peça ajuda aos amigos , mas tenha sempre uns galões de reserva; em último caso, use a água da rede com umas gotas de limão ou vinagre.

Vasos de plástico de boca grande são os recomendados, terra orgânica e adubos minerais podem ser utilizados como em qualquer outra planta, mas com cuidado para não acelerar demais o crescimento e deixar a planta tenra e frágil demais. O problema, como já foi dito, é o crescimento sempre lento e não há como mudá-lo. Não gosta de ter as raízes perturbadas, ao efetivar a propagação por divisão de touceiras, evite destruir demais os torrões de terra em volta do sistema radicular.


Elegante.

São portanto plantas de fácil cultivo, e mesmo dentro de casa vegetam sempre muito bem ! O vento ressecante e as geadas podem danificar severamente as folhas. A luz demasiada, a secura constante a e a terra infértil deixam as folhas curtas e duras, tirando delas a elegância natural. Mantenha-as sempre úmidas, abrigadas e evite carências hídricas; não é cactus ! Água demais e drenagem ruim podem apodrecer as raízes e matá-las, cuidado com o entupimento dos drenos no fundo do vaso . Umidade suave e constante sim , seca e inundação não! Um bom truque para manter a terra sempre em boas condições é adicionar à terra do plantio, uns pequenos pedaços de madeira, espuma picada ou pedrisco/carvão, assim o vaso sempre drenará bem mas mantendo a necessária umidade. Cultivada dentro de casa, ou em uma ambientação coberta, produz linda vegetação. Exposta ao tempo aberto, mesmo sem sol direto, torna-se mais rude e bem menos elegante. Portanto cultive-a preferencialmente abrigada. Locais onde existam saudáveis as disseminadas plantas de interior: Comigo-Ninguém-Pode ( Aglaonemas e Dieffenbachias ssp. ) , também poderiam abrigar as Siderasis.

Infelizmente é muito mais conhecida fora do país!


Eu as divido a cada 3 anos, ou quando o vaso está muito cheio e difícil de ser molhado, tenho sempre em mente: quanto maior a planta, maior será o tesouro da floração, nunca faça mudas muito pequenas. É uma planta nobre e merece estar em qualquer coleção.



Recentemente coloquei meus vasos ( foto acima ) do lado de fora, ao ar livre num terraço, estariam então finalmente pegando chuva, neblina e sereno. Mas, de surpresa, o frio congelante de uma geada me queimou e ressecou mais de 70% das folhas antigas, foi um desastre. As plantas sentiram a mudança climática porque eram tenras demais, antes sempre estiveram dentro de apartamento, estavam lindas e bem adaptadas àquela condição de plantas de ambientes fechados. Com luz indireta abundante, insolação direta discreta, adubadas, calcariadas e regadas apenas com a água pura da chuva, recuperaram-se vigorosamente em menos de um ano.





Siderasis vegetando em ambiente interno, exposto apenas
 à luz indireta somada à artificial ambiente.

 As novas folhas são menores , em maior número e mais resistentes e adaptadas ao habitat externo, agora abrigado por sombrite. Cultivada dentro de casa o aspecto vegetativo era bem mais exuberante e hamônico, porém mais frágil. As injúrias do frio intenso não tornarão a acontecer tão intensamente com as folhas já nasceram no ambiente, então já mudaram de pele: pele de aranha ! Como cresciam demais e floresciam de menos, em pouco tempo as abriguei, de novo, dentro de casa ! Tenho convicção que preferem os ares mais parados e a meia-sombra dos interiores.



Encerro como comecei: O nome dela é Siderasisfuscata ! Um lindo nome para uma planta tão esquisita. Recomendo tê-las,e são de fato uma boa aquisição e uma boa distração para quem gosta de cultivar plantas.





3 comentários:

  1. http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Siderasis%20fuscata

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  2. eta planta esta realmente na lista de plantas extintas como diz o artigo do link que enviei acima ?

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  3. Caro Eduardo:

    A Siderasis existe aqui no litoral do PR, é comum, eu mesmo já a comprei em pequenos hortos caseiros, em humildes casas de caiçaras, vc pode ver no meu post dois tipos de plantas lá mostrados. A Siderasis já selecionada e aculturada, de flores grandes e bem vistosas, folhas maiores e mais cobertas de pelos ferruginosos, são produzidas comercialmente em SC. E temos as plantas selvagens compradas de coletores aqui do PR, que apresentam aspecto vegetativo também algo diferente e as flores são mais fechadas e de pétalas mais curtas. Pode ser que a espécie esteja em extinção no RJ, na parte de orquídeas as informações do CNPF são bem malucas e feitas com base em literatura existente, não leve tão a sério o que diz este site, ele dá a Laelia lobata ocorrendo na região da Ilha Grande, uma informação obscura da década de 50, jamais confirmada. A planta cresce muito bem, a família das Commelinaceae é de plantas robusta e mesmo agressivas. Onde trabalho está cheio de Siderasis nas mesas dos colegas, difícil acreditar em ameaça de extinção, pode ser que a ameaça esteja restrita ao Munícipio do Rio de Janeiro. Abçs

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