VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


sábado, 29 de maio de 2010

Observação e cultivo - 1ª Parte


.



Sophronitis cernua no habitat - ambiente
bem ventilado e base seca.


"Tenho grande prazer em acordar na madrugada silenciosa e por alguns
 minutos aspergir fina névoa de água da chuva sobre minhas plantas.
 Nenhum afeto pode ser maior para elas do que esse, gostam do
 sereno e da neblina, então de raízes verdes e felizes, exalam
 os cheiros da mata como recompensa pelo carinho ".  

do blogueiro



Aguce o seu a olhar sobre as orquídeas
e aprenda com os detalhes observados.



" Sentir é compreender, visto que o 
universo não tem idéias."

Fernando Pessoa




Laelia pumila



Este artigo foi escrito visando os iniciantes, os curiosos e os leigos !


Quem vê esta mineira Laelia pumila sendo tão bem cultivada na Califórnia, logo se pergunta: Como eles conseguem algo assim? Eu matei todas as 8 plantas dessa espécie que comprei de sementeira, é planta  de difícil cultivo porque gosta de manter suas raízes livres e dependuradas! A resposta sobre o cultivo desta touceira é simples: a planta gostou da ambientação, do substrato escolhido, deve estar estabelecida numa peça de madeira grande e rígida. Eles sabiamente não a mataram apodrecida de tanta rega, molham e logo em seguida a planta fica seca de novo E também parece estar adubada de forma bem eficiente e racional, na primavera e verão sim, já no outono e inverno, só um pouco ou quase nada, sempre com  adubos pobres em nitrogênio ! Eles também não usam a água da rede , nela estão contidas substâncias químicas que matam as orquídeas, não se pode usar apenas a água da torneira. Pronto ! Com estes cuidados básicos já podemos ter algumas boas plantas em cultivo! Aqui na chuvosa e nublada Curitiba, só me  falta calor e sol para secar as raízes. Assim sendo, optei por evitar vasos, já que cultivo minhas orquídeas apenas abrigadas por sombrite, fora de vasos, pode chover e chover, que as plantas continuam muito bem, nem mesmo a poluição da cidade é problema.




L. jongheana alba entouceirada em substrato
 de madeira: linda e  bem longe de vaso.


Em ambientes controlados, em estufas ou telados
 o cultivo torna-se perfeito, nunca há
excesso de nada.

Trata-se de um hobbie relativamente dispendioso, requer atenção permanente, insumos e substratos muitas vezes difíceis de se obter. São necessárias diferentes opções para acondicionamento, adubação adequada e defensivos que nos ajudem com as pragas; não se pode tratar todas as espécies da mesma forma, esse é o erro de tantos iniciantes. As plantas comerciais, mais baratas, morrem com muita facilidade, produzidas em série nas condições médias das estufas, normalmente não resistem a outras condições mais oscilantes.


Cattleya nobilior gosta de base dura e seca,
 a água escorre rapidamente e logo
 o substrato fica seco.

Cattleya gigas: a casca da árvore hospedeira mostra sinais de
umidade intermitente e está ao mesmo tempo
enxuta, mesmo que chova dias seguidos,
 nunca há excessos, a água
escorre logo.

Na árvore nunca há excesso de água e o arejamento é perfeito, no vaso a umidade permanece mais, em lugares secos ou em estufas cobertas, o vaso torna-se bom, molha-se uma vez por semana ou quando secar, já ao ar livre em climas úmidos demais, é preciso muita atenção e cuidado.

Usam-se vasos menores porque secam logo, o enraizamento é o melhor 
parâmetro da saúde da planta e da qualidade do cultivo. 

Um vaso grande não fará a orquídea 
crescer mais, ao contrário !



Cattleya intermedia nas 
figueiras do Sul do Brasil.

Durante o dia, prevalece a luz e ventilação vinda do mar,
 à noite surge a neblina constante, especialmente pela
 manhã, nos brejos onde nascem as figueiras, o ar é
sempre úmido, nesses ambientes tornam-se muito
abundantes e apenas neles são encontradas.
Na mata de encosta nunca é abundante.


Cattleya warnerii.

Cattleya maxima.

A reprodução das boas condições da natureza é fundamental para o cultivo, como se vê ( abaixo) no caso desta Cattleya mossiae venezuelana. A planta vegeta vigorosa e confortavelmente sob condições naturais numa grande árvore de quintal, estas condições podem ser mesmo superiores àquela que os cuidados humanos hipoteticamente forneceriam. A árvore viva é o ideal para muitas espécie, elas rejeitam quaisquer outros substratos.



Cattleya mossiae.






 Cattleya percivaliana " Summit".



 


 Cattleya skineri ou Guarianthe skineri.


Vamos primeiramente elucidar algumas verdades que são 
fundamentais para um bom início na orquidofilia, muito
raramente são ditas tão objetivamente:

- Comece pelo começo, se vc não consegue fazer prosperar plantas muito comuns é porque ainda é um incompetente, não compre plantas para matá-las logo.

- Invista inicialmente em instalações adequadas onde haja no ambiente de cultivo sombra e umidade parciais, além de ventilação e luz permanentes, ao longo de todo ano. Orquídeas são seletivas e não prosperam em qualquer lugar, portanto não são fáceis de cultivar - são mais chatas que os próprios orquidófilos; é uma luta de foice no escuro mantê-las ! Tente aprender não sendo teimoso!
 
- As espécies terrestres ou semi-terrestres ( Paphiopediluns, Phaius, Cymbidiuns etc ) são muito mais fáceis de manter e prosperar . Comece por elas,  assim vamos nos animando aos poucos.

Cattleya nobilior.


No México, uma Laelia autunnalis,
 epífita em Yucca

Ventilação e neblina explicam o magnífico
 Oncidium colombiano na árvore isolada.

Bulbophyllum vaginatum.



- Vasos e orquidófilos iniciantes são inimigos mortais! O orquidófilo imagina a planta crescendo muito, não para de molhar, e consequentemente o vaso não seca. As raízes sem poder respirar, apodrecem e morrem. Paradoxalmente, sem raízes funcionais, a planta resseca no vaso, que nunca fica seco. Como a planta está morrendo e secando, ganha mais água do atencioso neófito e morre de vez. De boas intenções o inferno está cheio - diz o ditado popular!

Masdevallias saxícolas andinas necessitam de baixas temperaturas e muita umidade.
Melhor dizendo: desidratam em temperaturas superiores aos 25°C, como
não apresentam pseudobulbos com reservas, morrem logo
em  qualquer estação mais quente é seca, basta olhar
para a planta para perceber o que digo.

Os orquidófilos de antigamente diziam ser possível avaliar a qualidade de um ambiente onde se cultivava orquídeas apenas pelo uso do nariz, a umidade se sente pelo nariz, gostam de umidade constante no ar e ocasional nas raízes. Sobrevivem mantendo a água já absorvida e não "perdendo-e-absorvendo", são uma espécie de suculentas de lugares que não são sempre secos. Quase todo iniciante oferece para suas plantas o oposto do que elas precisam : ambiente de ar seco e muita água de qualidade ruim nas raízes, sempre em vasos muito maiores do que o necessário.



Bulbophyllum medusae.

Oncidium sphacelatum

- Orquídeas pequenas e/ou de raízes fininhas, gostam de substrato duro e seco e de muita água da chuva com matéria orgânica decomposta que passe por ele por curtos períodos, porém constantemente, para em seguida voltar a secar pela ação da aeração. As raízes maiores são ocasionalmente capazes de penetrar em substratos mais espessos e aerados, mas se tiverem como opção uma superfície dura e seca, úmida periodicamente, por perto , darão preferência para esse segundo tipo.


Apodrecem onde a água jamais seca,
 ponha isto na cabeça !


 
Oncidium enderanum - habitat de altitude no RJ - sobrevivem ao sol refrescados pelo
forte movimento de ar, provavelmente com neblina noturna ou matinal, luminosidade
no inverno e semi-sombreado  no verão, retirados desta condição especial
fenecem logo, postos em lugares abafados, sombrios e quentes,
 sem a neblina, desidratam na sequência. Eu vi ! Estavam a
pleno sol, mas no verão as folhas da árvore voltam a
sombrear, e sem o vento cálido da altitude o
calor logo acaba com o conforto.


Cattleya gaskelliana

- Se quer agradar uma planta use um pulverizador de mão abastecido com água da chuva, torne-se neblina, nunca tente ser uma chuva permanente. Quantas vezes se molha uma planta ? Quantas vezes ela secar completamente! Só adube as plantas que estão brotando ou crescendo, use homeopaticamente, adubo é como tempero na culinária: se usar demais estraga tudo !


Dendrobium loddigesii.

As raízes se queimam ao receberem adubos fortes nas suas proximidades imediatas, use adubo líquido e muito bem diluído para plantas ainda não fortemente estabelecidas. Adubo sólido deve ser aplicado longe das raízes, deixe elas crescerem até ele e nunca "jogue lixo orgânico" para se decompor bem em cima de uma orquídea - como se diz no trânsito: mantenha a distância. Orquídeas, na Natureza, sobrevivem dos sais minerais e compostos orgânicos que a água da chuva traz já diluídos e pequenas quantidades.



Vasos suspensos e arejados secam muito mais rapidamente, o ambiente deve ser claro, parcialmente sombreado, mas ainda com radiação solar visível. Na foto acima, reparem no interessante sistema de suspensão e encaixe de vasos com arames, atrapalha o deslocamento das lesmas e promove aeração e secagem adequadas. A ventilação é totalmente livre, porém é um local bem próximo ao mar, e o ar é sempre úmido o ano todo. Num local de ar seco, um cultivo assim não seria recomendável, a ventilação teria de ser reduzida  e a rega teria de ser mais intensa. Estabelecimentos comerciais e grandes coleções acabam sendo instalados em locais de clima mais favorável. Já os pequenos cultivadores geralmente só possuem condições adversas para oferecer às orquídeas que chegam de ambiente de cultivo quase perfeitos.


Bicho maldito - adora comer as flores na calada
 da noite e é de controle muito difícil!


Também as lesmas, outro problema irritante e sério, ficam menos favorecidas para acessar os vasos suspensos,  e assim comeras  flores. Depois de todo o trabalho para se obter uma planta estabelecida e prestes a florir, percebemos que conseguimos uma bem nutrida colônia de lesmas, todas muito bem escondidas nos vasos e ávidas por devorar flores raras na calada da madrugada úmida, adoram os 20°C.. A adubação com ácido fosfórico, com a calda ajustada para pH 5 ou próximo, mais ou menos 3 gotas para  um balde 15 litros de água coletada da chuva, agride as lesmas e mata seus filhotes e ainda faz bem às orquídeas e seu substrato. Também a adubação foliar um pouco mais concentrada, se feita em dia nublado/neblinoso ou após uma chuva, ao cair sobre as lesmas  em passeio, faz com elas se intoxiquem com os sais e tendam então a abandonar as orquídeas ou os vasos. Assim fazemos um controle dessa praga mais fácil de executar, e compatível com as práticas orquidófilas.


As iscas comerciais para lesmas só funcionam se secas, molhadas pela chuva ou pela rega perdem sua atratividade. Jamais joguem água com sal de cozinha nas suas orquídeas para matar lesma, o sal mata as orquídeas também. Lesmas se alimentam de matéria orgânica em decomposição, substratos apodrecidos e torta de mamona alimentam estes bichos asquerosos, ração de animais domésticos pulverizadas são ótimos adubos para orquídeas, além de serem baratíssimas, mas tem o efeito colateral de alimentar as lesmas. Lesmas saem para passear e comer preferencialmente à temperatura de exatos 20-21°C, existindo umidade em noites assim, ficam ousadas e aparecem, nestes dias o chinelo deve funcionar para controlá-las.



Dendrobium cuthbertsonii da Nova Guiné em 
ambientação perfeita e casca de árvore.


- Nunca use suas criminosas mãos de iniciante afobadinho contra o sistema radicular de uma orquídea estabelecida. A saúde e o cultivo de uma planta, avalia-se pelo estado das raízes; preserve o sistema radicular saudável no possível. Leva anos para crescer e cortá-lo totalmente ou parcialmente só se for absolutamente necessário; tem livro mandando cortar todas as raízes para começar de novo !!!!! Não há bons livros nacionais sobre o tema ! Só fotos e blá-blá-blá ! Há realmente muita gente querendo aparecer e dar show no meio orquidófilo. O único livro sério que li sobre como cuidar de orquídeas é o Home Orchid Growing de Rebecca Tyson Northen. O restante eram livros pouco objetivos, livros para vender e ganhar dinheiro, nada didáticos sobre o assunto em questão.

Cattleya aurea ( ex dowiana var. aurea ).

- Use segmentos de caibros de madeira de boa qualidade ( durável ao contato com água) para plantar suas orquídeas , deixe de molho uns dias antes de usar, trocando a água várias vezes, para retirar deles substâncias que intoxiquem as raízes novas das orquídeas que neles serão fixadas. Certifique-se se foram tratados com substâncias químicas preservadoras tóxicas para as raízes, geralmente mercuriais ; será muito mais bem sucedido com os caibros do que com o uso de vasos de plástico. Eucaliptos e dormentes de ferrovias são tratados com fungicidas mercuriais para durarem mais em contato com o meio ambiente, esse tipo de madeira tratada não serve para substrato de orquídeas. Caibros e cascas de de árvore devem ser suspennsos como se fossem vasos pendurados !

Coelogyne lactea ,vegetando na pedra, provavelmente na face leste, enfrentando apenas o sol da manhã, hiper bem ventilada de dia, e molhada de sereno e neblina durante a madrugada.

Coelogyne trinervis em substratos duros e secos, é adubada naturalmente
 pela água que escorre com matéria orgânica decomposta.

Coelogyne rupícola no barranco, sobrevivendo
da água que escorre, trazendo nutrientes.


Nas Filipinas um magnífico lote de Coelogyne rochussenii.

Amarre as orquídeas firmemente com o máximo de raízes e substrato original possível, use estopa, palha ou musgos para fazer um invólucro para as raízes, promovendo assim uma maior umidade inicial. Pedaços de madeira custam relativamente barato, além de serem facilmente encontrados em qualquer casa de material de construção ou madeireira. Utilize-os também, não fique fixado na ideia de ter todas as plantas de sua coleção em vasos.


Dendrobium e Coelogynes numa visão luxuriante, muito bem adaptados na pedra úmida, cheia de matéria orgânica em decomposição e exposta a uma iluminação perfeita, sem excesso de sol direto. Na pedra escorre a água cheia de nutrientes, como se fosse um chá de matéria orgânica em decomposição, misturado vão os sais minerais que as rochas naturalmente liberam, aos poucos.


Epífitos ou rupícolas, só sobrevivem onde a luz , a umidade e a ventilação são perfeitas, para que assim não desidratem. Por isso as sementes são tantas em número em cada fruto , são levíssimas e espalhadas ao acaso pelos ventos. Apenas as com sorte sobrevivem, precisam, aleatoriamente, se instalar num local muito especial.


Espécie vandácea numa encosta montanhosa indonésia.  Gostam de barrancos, neles há luz
e água que escorre, água que escorre com matéria orgânica em decomposição, como
se fosse um chá natural , ponha este conceito em sua mente.

Cattleya labiata como ela gosta de estar,
cheia de raízes aeradas e secas.

Touceira de Maxillaria picta em Curitiba.

Claramente evite madeira de pinus, eucalipto e cedrilho para instalar suas orquídeas ou fazer caixinhas. Apodrecem logo, em menos de um ano já dão sinais de corrupção. Eu uso muito o nó-de-pinho, dura milhares de anos, e ainda é comum aqui no sul do Brasil. A adubação deverá ser fornecida ocasionalmente, na água da rega, ou então sendo amarrada acima do conjunto "planta-substrato de madeira" como se descreverá mais abaixo.


Laelia lucasiana.


- Se vc mora onde chove demais providencie telhado translúcido, se ao contrário o local é seco e quente,  plásticos e sombra são necessários para fechar o ambiente e manter a umidade e temperatura plausíveis. O calor de mais de 35°C costuma matar a maioria das orquídeas cultivadas mais famosas, dessas de floriculturas; são os Phalaenopsis os mais tolerantes aos calores infernais, todavia com sombra , ventilação leve e umidade constante no ambiente.

Sophronitis cultivados no Japão.

- Tenha paciência, as orquídeas crescem devagar ! Uma Cattleya demora até 10 anos para dar a primeira e fraca floração, uma adaptação a um novo ambiente demora ao menos 2 anos. Sua orquídea só deu flor de fato, quando o pseudobulbo a florir, brotou e cresceu nesse novo local. Orquídeas acumulam reservas e podem morrer lentamente por alguns anos, gastando as reservas e até florindo antes de morrer! E o orquidófilo ainda acha que está tudo bem, a planta floriu então está bem, não consegue entender ser este o derradeiro canto do cisne diante da morte certa!


Cattleya híbrida

- Só corte fora as flores já murchas quando a planta tiver reabsorvido todas as substâncias possíveis de ser então reutilizadas, quando só restar papel seco, ou seja , cerca de um mês depois das flores murcharem; se caírem sozinhas é até melhor. Hastes florais e espatas verdes devem ser mantidas, são como folhas, fazem fotossíntese e só ajudam a produzir mais energia, por vezes perduram ainda por muitos meses, deixe-as em paz.

Brassavola nodosa vegetando na América Central.

Folhas traseiras costumam amarelecer , secar e depois cair durante períodos de enraizamento, a perda ocorre também durante ou posteriormente à floração, é normal acontecer, ficam apenas os pseudobulbos mais velhos como reserva. Folhas são biologicamente mais ou menos descartáveis, as mais finas são mais, as mais espessas menos, em caso de necessidade a planta se auto-recicla, aproveitando os nutrientes e acúmulos de energia armazenados.

Cattleya harrisoniana.

- A orquídea armazena e transloca nutrientes e água de suas partes de reserva ao longo do tempo, sua existência é sem limites de vida determinados, pode durar séculos e por isto acumulam reservas. O último pseudobulbo é jovem e tem um ano de existência, os mais antigos podem ter décadas e continuar lá no fim da planta como reserva e garantia para tempos mais difíceis. Só se divide as plantas grandes, muito fortes e com reservas abundantes - deixe as normais e fraquinhas em paz. Orquídeas andam, onde nasceram pode não haver mais nenhum vestígio e a algumas dezenas de centímetros de distância pode haver uma linda planta de muitas décadas de idade - andam e renovam-se o tempo todo - as simpodiais são seres vegetais de estrutura modular.

Cattleya gigas.

- São plantas evoluídas e apaixonantes, não tenha dúvidas : a morte de um exemplar deve-se normalmente ao seu modo de cultivo. Crescem muito lentamente, é assim que sobrevivem, crescendo apenas quando há boas condições. Mantenha sua alma pequena longe delas, deixe a tesoura quietinha e só use-a quando absolutamente necessário, não vai ser você o milagreiro que de uma orquídea fará mil picadinhos que irão surgir mil orquídeas lindas ! Não seja  um marinheiro de primeira viagem visionário, ambicioso e palhaço !

Cattleya trianei.

- Como diz o ditado : Devagar com o andor, o santo é de barro ! Se fosse fácil não seria tão raro ver as belas orquídeas em cultivo nas casas ! Ser orquidófilo é ser organizado e perspicaz !




Dendrobium speciosum tem perfume encantador.

- Observe! Seja cuidadoso! Só deixe a ganância se aproximar  , quando a competência já estiver sentada do lado! Conhecendo bem o meio, muitos entendem que ser orquidófilo é sinal de: vaidoso, invejoso, salafrário, ladrão de plantas etc . Evite tornar-se desse tipo ganancioso tão comum ! Faça uma lista das espécies que são encontradas saudáveis em cultivo na sua região e as adquira primeiro, economize fracassos iniciais para não perder o ânimo.

Epidendrum porpax é de fácil cultura.

Não dê muito ouvido aos comerciantes, eles precisam pagar suas contas , falam demais e contam histórias para "boi dormir", querem vender as do estoque, o que vc precisa ou deseja não faz muita diferença para eles. Sou recebido com ressalvas e cuidados em alguns estabelecimentos, sei o que quero e conheço bem as espécies, exageros entram por um ouvido e saem pelo outro. Não gostam de clientes "chatos ", preferem muitas vezes os iniciantes e os que vão presentear alguém , esses últimos são os preferidos do comércio.



Cattleya elongata.

Cattleya elongata nos sertões do nordeste brasileiro.

Evite comprar pelo correio, só compre se houver boas referências de pessoas conhecidas sobre o estabelecimento, com frequência mandam "gato por lebre" para não perder a venda; é caro e o correio estressa qualquer um. Bobos e mulheres vaidosas são excelentes para comprar o muito caro, basta uma boa conversa em cima daquelas emoções todas. Dê preferência a quem produz em grande quantidade e próximo à sua residência. Compre apenas o que você tem certeza das chances de sobrevivência. O sangue frio é geladinho mas ajuda as coisas a darem certo com o tempo. Híbridos primários simples ( espécie pura x espécie pura ) são as melhores opções de compra para quem inicia, evite as espécies exóticas de locais distantes e climas diferentes.

Cattleya mossiae.

-Quem avisa amigo é ! Leia o artigo, veja bem as fotos e tente entender a lição das imagens ! Imagine como sobrevivem, como são irrigadas pela umidade natural, o vento, a adubação natural escorrendo trazida pela chuva, imagine mesmo ! Há apenas dois tipos básicos de seres humanos: os que fazem o que querem ou sentem ( 75% ) e os que observam bem e fazem apenas o necessário e útil ! Estes últimos possuem belos orquidários e casas!

Orquídeas geralmente gostam de estar expostas à luz onde há ventilação úmida, se parar o vento, queimam-se as folhas! Se o vento for quente e seco, em uma semana a planta estará ressequida e morta! Às vezes a umidade é apenas noturna, durante o dia o cenário é outro. Com a observação atenta das orquídeas , poderemos então aprender um pouco mais sobre os hábitos naturais dessas plantas. Assim vendo, percebendo e imaginando, poderemos até prescrever e mesmo acertar numa tentativa particularizada de cultivo.


Dendrobium secundum

Mas é sempre importante ter em mente: não é fácil cultivar as epífitas ( vivem sobre outros vegetais ). As rupícolas ( vivem sobre rochas nuas ), as saxícolas ( vivem em acúmulos de solo e matéria orgânica nas fendas e concavidades das rochas ou em barrancos) e as terrestres ( vivem em solos fortemente orgânicos ) são, na ordem inversa de apresentação, mais fáceis de cultivar.

O sol forte queima as folhas e a sombra é necessária
 - veja a marca da sombra da tela de 50% no chão.

Os Phaius - acima - dão lindas flores, estas lembram vagamente as L. tenebrosas, são cultivados em terra comum misturada com algum auxiliar de drenagem e dão lindas flores. As terrestres são facílimas de adaptação, só não gostam de solos compactados ou muitíssimo alcalinos. Misturando na terra adubada: espuma escura picadinha na mão( fica mais natural ), pedaços de madeira ou serragem ( deixe de molho até a água ficar clara ), isopor, pedrisco ( de pedra branca não serve), bolinhas de argila expandida; obtemos um substrato que não retém umidade em excesso por drenar facilmente, mas se mantém úmido somente por um curto espaço de tempo, permitindo assim uma boa absorção por parte das raízes.

Phaius tankerville.

Na primeira foto desta sequência, reparem no chão a sombra proporcionada pela tela sombrite de 50%, no sol pleno as folhas queimam-se facilmente, já na sombra mais profunda a planta não cresce mantem-se paralizada. Luz filtrada é o primeiro gasto a ser feito, a sombra de uma árvore pode ser um bom início, local que receba sol até as 10 hs da manhã também.

Lembra a L. tenebrosa.

O segredo principal de um bom cultivo é o sombrite, e também o substrato bem aerado e drenado! No calor permanente e no sol forte ao longo do ano, típicos de quase todo o Brasil, é muito mais difícil cultivar as espécies mais vistosas! Se cultivá-las fosse fácil como muitos pensam, não haveriam tantas plantas comuns por aí, haveriam muito mais orquídeas sofisticadas e lindas em jardins e em cultivo.

A utilização do coco natural seco é um forma viável de acondicionar cattleyas - deixe o coco de molho na água por uns 10 dias antes de usá-los para plantio. Trata-se de um substrato barato, fácil de achar e bom, fure bem o coco para a água drenar livremente. Evite comprar esse trecos de fibra de coco seco com cola na tentativa de substituir o velho xaxim, nunca vi uma orquídea enraizada nesse material . É engodo, só serve para comprar e depois por fora, além de ser caro. Não acredito como conseguem vender o inútil tão caro e por tanto tempo !


O mesmo material, sem a cola, é útil na mistura com outros substratos, como pedra e carvão, deve ficar previamente de molho, trocando a água, até desaparecer a secreção marrom derivada do tanino que impede o bom enraizamento das orquídeas. Ou deixe na chuva por uns meses, até estar curado e já útil  para o uso como substrato.
 

 Plantas pequenas e de raízes finas gostam de substrato
 pouco úmido, ou com umidade intermitente.



Acima um interessante cultivo em moringas de cerâmica crua, estas podem até conter alguma água, exemplificam e mostram como a umidade deve estar sempre presente, porém nunca em excesso. Outra boa opção para evitar os vasos de plástico !

Vamos primeiro ver as epífitas e observar bem as fotos:





No vaso não dá certo ! Vaso é bom para quem vende e tem que transportar !

Sophronitis cernua e Schomburgkia tibicinis possuem folhas duras e resistentes, ambas tem um aspecto suculento, lembrando as plantas que passam por estações secas, apresentam forte raizama.

Sophronitis cernua no habitat.

A primeira parece mais verde do que a segunda, demonstrando não recebe luz excessiva, se estivesse verde muito escuro e toda molenga, seria um claro sinal de falta de iluminação adequada . Estão ambas plantadas em madeira dura que resistirá anos sem se corromper, evitando-se então mexer nas plantas depois que finalmente estabelecidas.


Encyclia, Phalaenopsis, Maxillaria e Cattleya maxima também vivem como epífitas. Encyclia tem folhas compridas e rígidas além de pseudobulbos pequenos, isso significa: vive em relativo sombreamento e sofre secas leves periódicas. Phalaenopsis, sem pseudobulbos e apenas com folhas carnudas, parece viver na sombra de locais bem ventilado e úmidos, resiste a pequenas estiagens, recebe normalmente bastante água de chuva onde vive dependurado. Maxillaria tem pseudobulbos pequenos e folhas curta, tenras e verde-claro , parece viver em condições intermediarias de luz, ventilação e umidade - fácil de cultivar portanto. A Cattleya unifoliada apresenta folhas rígidas e bulbos bem evidentes, demonstrando passar por estação seca, mas em outra parte específica do ano, parece receber bastante luz, ventilação e umidade adequadas. O Bulbophyllum lobby vegeta de modo similar.







OBSERVAÇÃO E CULTIVO - PARTE II






16 comentários:

  1. Gilmar Paiva Natal/Rn21 de fevereiro de 2011 14:11

    Chico, Muito bom os conselhos e comentários aqui encontrados, sou cultivador iniciante, cultivo há 02 anos e o material técnico é o melhor que já li. Além do mais, sua forma direta e suscinta de falar, clara e sem arrodeios e sem sombra de dúvida alertadora e só choca a quem não quer aprender, assim feito você, também acho que quem não tem competência tem que pedir prá sair. Não poderia esperar nada mais direto de uma pessoa fã da Clarice Lispetor( que nos ensinou que a vida não é somente tátile visual, tem que ser sntida e vivida, observação constante é a bae de tudo.) também sou fã da Clarice de carteirinha, tenho todos seus livros. Enfim adicionei aos meus favoritos e nao visitarem para sempre, mas todos os dias, pois prá sempre não existe. abraços, Gilmar\Natal\RN.

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  2. como deus fez as flores com perfesiao e lindas de tirar ofolego meus para bems pelo seu blg

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  3. parabens pelo blog, suas fotos sao fantasticas . bom trabalho. continue assim.

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  4. até perdi o sono com tanta informação boa !!!! parabéns...

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  5. maria marcolina caldas25 de março de 2012 22:13

    Amei!seu trabalho é divino!com certza sua alma também.abraços.

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  6. Maravilha! Nesse blog,pude aprender coisas que
    nem imaginava.È o melhor que já vi.
    Vou prestar atenção agora nas compras que faço,e os blá,blá,blá,que hipnotiza a gente a comprar.
    Qual o nome desse livro que mencionou que seria
    um dos melhores sobre orquideas,e como conseguir?
    Parbéns pelo blog.
    Beatriz

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  7. Franqueza e conhecimento duas boas qualidades, um lugar para se aprender sempre que tivermos duvidas. Parabens belo trabalho mesmo.....

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  8. Meus parabens. Este e o melhor e mais honesto blog sobre estas plantas tao maravilhosas que já encontrei. Obrigada por compartilhar seus conhecimentos de maneira tão generosa.

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  9. Parabens!Muito bom o seu blog.
    Sou iniciante no cultivo de orquideas e tenho aprendido muito no seu blog,principalmente que sou de Curitiba tambem.
    Comprei uma Laelia Purpurata Cornea em Joinvile se não fosse pedir de mais gostaria que me enviasse algumas dicas por email é raquelholtz_83@hotmail.com,ficaria muito grata.
    Até mais!

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  10. Muuuito interessante o post. Adorei as fotos de orquídeas na natureza e as touceiras gigantes. Seus comentários de cultivo são ótimos! Eu moro na Califórnia e tenho um bocado de cattleya se laelias, que cultivo ao ar livre e plantadas em tudo, menos vaso. Várias espécies nacionais toleram frio muito bem. Viva as orquídeas brasileiras!

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  11. Muito Obrigado pelas lindas palavras, meu email está na coluna direita do blog, em caso de dúvidas me escreva, lhe reponderei com muita atenção e prazer. Abraços

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  12. Vc é o cara... e entre visitas em meus orquidarios e releituras nas tuas belas palavras, ganhei meu dia. Bão, virei seu fã. Estarei aqui sp que puder. Um abraço de felicidade por vc ter me aculturado muito, mas muito mais do que já sabia sobre minhas pequenas. Kall

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  13. Caro Kall ....quando surgirem dúvidas vc pode "call me" shayva.j@hotmail.com, será bem respondido, estou aqui para por a vida para andar pra frente, perdoe o trocadilho infame...num resisti....kkkkk...abçs

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  14. A agressividade sutil dirigida contra pessoas que nada fizeram, a não ser
    existirem e serem como são, é a marca registrada da inveja.

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  15. Além da "lindeza" do teu blog e da absoluta simplicidade e clareza dos teus posts, o que se vê é um grande amor pelas orquídeas e pela natureza! Muito bacana, parabéns!

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    1. Cláudia muito obrigado por seu incentivo em belas palavras, eu aqui fiz o meu possível para esclarecer e alertar. Muito obrigado !

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