VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Barco Existencial de Jamil Snege





"Já inspecionei a proa, amarrei a carga, desatei a vela. O vento sopra forte e enfuna meu coração de alegria. Agora é contigo, Senhor. Toma o leme e risca o rumo do meu barco – não penses que irei por este mar sozinho”.


de Jamil Snege




Recado para os "opacos", seus átrios e o
 lusco fusco de seus baços: genial!



O poeta e intelectual Jamil Snege , junto com Paulo Leminski, ambos já falecidos, são excelentes intérpretes da realidade sutil que se esconde nos ares curitibanos. Durante o curso de suas vidas, foram excêntricos como as orquídeas perfeitas e perfumadas  em meio aos matos rudes e espinhentos. Snege era de rara percepção, deixou uma obra direta e desconcertante que frequentemente me remete à filosofia de alma de Clarice Lispector; infelizmente é muito pouco conhecido e divulgado. Abaixo textos e poesia deste turco espectral que escrevia como poucos, um pequeno tributo à sutileza de composição e ao conteúdo filosófico de sua obra. Junto deles lindas orquídeas nativas do Brasil !



Meu tributo para a tua memória ! Como pode ter surgido nestes planaltos enfadonhos daqui tanta devoção e sinceridade legítimas? Depois da Foz do Iguaçu e da Ilha do Mel, só Snege recompensou plenamente meus olhos e miolos cansados dos dias iguais e da mesmice destas paragens cheias de pinheiros e de opacos.

Perdidos no meio destas hostes de rurícolas,
 distraídos, infelizmente não pudemos
nos conhecer, iríamos nos
adorar reciprocamente.



"E seu eu venha a ferir,
opacos, o lusco-fusco
de seus baços
o hálito de hortaliças
o bolor de queijo
que amadurece em seus
atrios....abasteçam-me

 de mil insultos.
Mas me deixem
 incender"




Foi-se daqui em 16 de maio de 2003, deixa saudade e
um forte legado literário e espiritual.




Cattleya amethystoglossa



Cattleya leopoldii


Cattleya guttata









"Eu tenho uma dificuldade intrínseca de existir no mundo (…) dada a fragmentação com que vivemos nossas vidas. Somos todos pequenos atores de pequenas aventuras absolutamente irrelevantes. Já não existem grandes revoluções, grandes aventureiros, grandes estadistas. Nossa vida se inscreve hoje nesse gigantesco bric-à-brac do cotidiano. A grande autobiografia, hoje, seria aquela que desse conta da crescente mediocrização a que estamos sujeitos, seja através do embotamento do espírito crítico, da razão ou dos próprios sentimentos. "



Cattleya bicolor



C. acklandiae



" Não sou melhor que
uma pedra, uma folha,
a madeira de uma ponte,
o pó das estradas.

  
Sou apenas mais frágil,
Senhor, pisa-me com carinho."



Não se vive o amor, sofre-se o amor. Sofre-se a ansiedade de não poder retê-lo, porque nossas cordas afetivas são muito frágeis para mantê-lo retido e domesticado como um animal de estimação. Ele é xucro e bravio e nos despedaça a cada embate, e por fim se extingue e nos extingue com ele. Aponta numa única direção: o rompimento. Pois só conseguiremos suportá-lo se ocultarmos de nossos sentidos o objeto dessa desvairada paixão.






C. violacea








Opacos e seus baços..... o Paraná nunca te mereceu Jamil !
Só serviu para contrastar opacidade a tua grande luz !
Descobri que você almoçava frequentemente
num restaurante ao lado de minha casa, e
eu não pude te conhecer pessoalmente,
lamento que a sorte cachorra
não tenha me permitido
viver está imensa
satisfação.

Se não foi possível prestar-lhe o devido
tributo antes, então não me nego a
fazê-lo agora, expondo os 
teus geniais átrios, o 
traço certo da tua
 escrita perfeita.

Te adoro !









SE N H O R

de Jamil Snege




Hoje amanheci insatisfeito.

O pão estava amargo
e até o jornal que leio
todos os dias me pareceu de
uma insipidez atroz.


De repente, Senhor, lembrei-me
dos que não lêem jornais -
mas os usam para embrulhar
restos de pão que os paladares
amargos deixam no prato
após uma noite insatisfeita.


Como deve ser delicioso
esse pão, Senhor,
depois que tu o adoças com
tua própria boca!

Às vezes lamento minha
má sorte – e o que me espera
em seguida é um dia luminoso.


Às vezes bendigo minha
fortuna – e logo após um
furacão desaba sobre minha cabeça.


Brincas comigo, Senhor?


Ou será que devo lamentar
a minha fortuna e bendizer
a má sorte como se o avesso
e o direito fossem iguais
para ti?

Quando eu era pequeno,
topava contigo a cada instante.


Adolescente, passei
a encontrar-te cada vez menos.


Adulto, duvidei que
algum dia tivesse visto o
brilho de tua face e
te busquei incessantemente
por todos os caminhos.


Não te encontrei,
Senhor, nem poderia.


O piolho que segue na juba
do leão jamais terá
consciência de que possui um
leão inteiro.

Tenho procurado por
todos os meios me destacar
dos demais.


É minha a intervenção mais
inteligente, o lance
intelectual mais audaz.


Procuro as luzes do palco
com o mesmo fervor
com que o peregrino procura
a tua face.


Que tolice, Senhor.


Dentro de alguns anos, numa
tumba escura, que
artifícios usarei para
chamar a atenção sobre o meu
pobre crânio descarnado?

Para onde vai o canto,
depois que os
lábios se fecham?


Para onde vai a prece,
depois que o coração silencia?


E os rostos que amamos
para onde vão, senhor,
depois que nossas
pupilas se transformam
em gotas de lama?


Ontem vi uma andorinha
que devia ter uns
cinco milhões de anos.


Será que eu também
sobreviverei
ao que restar de mim?

Quando menino, nascido
serra acima, o que
mais eu desejava era o mar.


Eu queria apenas o mar
a mais nada – para nele
desfraldar meus
sonhos marinheiros.


Fui crescendo e ampliando
meus desejos.


Uma casa junto ao mar,
um barco a motor, festas,
empregados, piscina.


Obtive tudo isso, Senhor.


Mas aí então o mar dentro de
mim já havia secado.

Não sou melhor que
uma pedra, uma folha,
a madeira de uma ponte,
o pó das estradas.


Sou apenas mais frágil,
Senhor, pisa-me com carinho.

Na minha infância, havia
um jogo que consistia
em se colocar um porquinho-da-índia
no interior de um círculo
formado por
casinholas numeradas.


Vencia aquele cuja
aposta correspondesse ao
número do esconderijo
escolhido pelo animalzinho.


Nunca mais vi esse jogo,
Senhor, mas eu sei que
alguns religiosos continuam
a praticá-lo contigo.


Cercam-te com suas
igrejas almiscaradas -
e correm a vendar apostas
aos seus fiéis.

A última tentativa
de me entrevistar contigo
foi um grande fracasso.


Acendi incensos, decorei com flores
- e nada de ti, Senhor.


Amanheci frustrado e
fatigado como se dançasse
a noite inteira nos infernos.


Resolvi então fazer
tudo ao contrário: dancei,
me embriaguei, libertei
fantasmas, invoquei
demônios.


Tive um sono embalado
por anjos em doces paragens
celestiais.


És sempre assim, Senhor?


Imprevisível? Desconcertante?

O velho índio foi encontrado
vagando pela floresta,
aparentemente perdido.


Perguntaram-lhe. 


Respondeu
cheio de brios: “Perdi
foi minha casa; não consigo
encontrá-la”.


Quanta lição, Senhor.


O homem pode perder sua casa,
sua rua, os rostos que
ama – sem jamais se perder
de si mesmo.

Um dia tu serás demonstrado
cientificamente,
como o eletromagnetismo e
a gravitação universal.


Professores te reproduzirão
em laboratório,
crianças enfeitarão com tua
fórmula suas mochilas
e os grafiteiros rabiscarão
teu princípio pelos muros
da cidade.


Nesse dia, Senhor, alguém
estará restabelecendo
teu mistério… à luz
de uma vela, numa galáxia
bem distante.

Ontem não fui solicitado
como gostaria de ser.


Ninguém me pediu conselhos,
ninguém fez caso
de minhas opiniões -
até pareceu que o mundo
e as pessoas poderiam viver
bem melhor sem mim.


Sensação terrível, Senhor.


E pensar que já passei
dias e meses da minha vida
infligindo idêntico
tratamento a ti…

Não ouças qualquer
juízo que eu faça sobre
meu semelhante.


Amordaça-me.


Corta minha língua.


A pessoa que acusei
de furtar minhas luvas
não tinha mãos.

Ontem vi um jovem preso
a uma cadeira de rodas.


Mãos, pernas, tronco -
imobilizados numa rigidez
de pedra.


De vivo apenas seu olhar -
atento, vigilante,
como se contemplasse tudo
das alturas.


Que expressão, Senhor,
que força poderosa…


Tua puseste todos os seus
músculos ali.

Tenho pensado ultimamente
em comprar um carro novo.


Trabalho com afinco,
faço tudo o que devo fazer,
mas nunca me sobra dinheiro.


Outro dia, fazendo
minhas contas, cheguei a
botar a culpa em ti: “Deus
não tem me ajudado”.


Que vergonha, Senhor.


Tantos homens trabalharam
com afinco a vida toda,
fizeram tudo
o que podiam fazer,
e jamais te pediram sequer
a passagem do ônibus…

Dois meninos, magrinhos,
irmãos, aproximam-se
do balcão de pães.


Escolhem um bem pequeno -
o que pode comprar a moeda
que um deles guarda no
côncavo da mão.


Saem os dois com seu
pãozinho – uma fome tão
antiga, entre acrílicos
e colesteróis.

Eu gostaria de ajudar
todas as crianças pobres,
carentes, desnutridas.


Gostaria, Senhor…
mas tenho a alma fatigada
de proteínas.


Ontem, por uma fraqueza
de caráter, resolvi
separar as pessoas de meu
convívio em dois blocos distintos
- os bons e os maus.


Que terrível, Senhor.
 

Depois de muito ajuizar,
os bons me fitavam com
expressões demoníacas
enquanto os maus, todos,
me exibiam a tua face.

Um homem mata outro e
tu o consentes.


O perverso agride o inocente
e tu não o fulminas.


O poderoso humilha o fraco
e tu aumentas-lhe o poder.


Que Deus és tu,
Senhor, que tudo podes
e tudo permites?


Que deus extermina órfãos
e ilumina a face dos
tiranos com os carmins
da longevidade?


Não respondas, Senhor,
não digas nada.


É esse mistério que me atrai
irremediavelmente a ti.

Toma a máquina do meu
corpo e nela
transporta socorro para
os teus aflitos.


É de pouca serventia,
Sei – o coração me arde,
meus músculos estão
fracos – mas podes
usá-la à exaustão.


E quando não mais prestar,
Senhor, escolhe uma tíbia
e faz uma flauta.

Hoje sairei à caça de lucros,
exatamente como o faço
todos os dias.


Tentarei ser o mais astuto,
o mais sagaz, e a terra
tremerá sob meus pés.


No entanto, Senhor, vai
comigo um menino magrinho,
olhos distraídos, que
não consegue entender por
que meus interesses
são mais importantes que
as nuvens e as borboletas.

Conserva-o assim, Senhor.
 

Mesmo que ele me atrapalhe,
mesmo que
me obrigue a ceder
no momento em
que preciso ser duro e inflexível,
conserva-o comigo.


E se um de nós não voltar,
Senhor, que seja eu – não ele.
 

Posso viver bem melhor
sem mim.

Já inspecionei a proa,
amarrei a carga,
desatei a vela.


O vento sopra forte e
enfuna meu coração de alegria.
 

Agora é contigo, Senhor.

Toma o leme e risca
o rumo do meu barco – não
penses que irei por
este mar sozinho.





 Nem Fernando Pessoa,
 Neruda, Vínicius ou
 Drummond !

 Não me lembro jamais de ter lido
algo tão perfeito assim, é parte
 verdadeira de mim, parte que
  de fato nem me pertence !

Jamil está vivo em 
meio a todas estas
 letras tão bem
postas !



C. schilleriana





Num outro grande momento, Jamil Snege

descreve a Curitiba em que viveu, 

desacorçoado nos contou

suas visões sobre

o monstro.


Magistral !

 



















COMO TORNAR-SE INVISÍVEL 

EM CURITIBA.

 

de Jamil Snege



"Você pode começar treinando numa dessas manhãs de muita neblina, à margem de um lago ou num bairro bem afastado do centro da cidade. Pode optar por uma rua deserta, no começo da noite ou numa véspera de feriado. Pode vestir um uniforme camuflado ou levar o seu "personal trainer" a tiracolo, pouco importa. Esteja você com a síndrome do pânico ou com o coração amargurado, existe um método muito mais eficiente para tornar-se invisível em Curitiba do que essas desambulações (sic) pelos ermos da cidade. Embora não esteja ao alcance de todos, convém conhecê-lo, já que é absolutamente infalível e seus resultados surpreendentes. Primeira condição: você precisa ter talento genuíno. Estudar bastante também ajuda, mas não substitui aquele toque de gênio inconfundível que marca e distingue certas pessoas desde o berço. Pois bem. De posse desse talento que Deus lhe deu – e contra a falta de estímulo da família, do meio e particularmente da própria cidade – você deve se atirar de corpo e alma na consecução de seu destino. Guiado unicamente pelo seu daimon, pelo seu anjo tutelar, você dará início à construção de sua lenda pessoal e dos projetos que dela advirão. Você estará, finalmente, a caminho de tornar-se invisível. Cada conquista, cada livro publicado, cada poema, escultura ou canção, cada tela, espetáculo, disco, filme ou fotografia, cada intervenção bem sucedida no esporte, no direito ou na medicina, cada vez que alguém, lá fora, reconhecer com isenção de ânimo que você está produzindo obra ou feito significativo – o seu grau de invisibilidade aumenta em Curitiba. E é muito fácil perceber isso. Primeiro, não faltarão pessoas tentando dissuadi-lo de seu próprio talento. Tudo farão para reconduzi-lo de volta à mediania, ou melhor, à mediocracia, que é o sistema vigente nesse estrato a que denominamos cultura. Se você resistir, tentarão cooptá-lo com promessas de nomeações ou ofertas de emprego em atividades sucedâneas. Se você é um belo projeto de escritor, alguém tentará convencê-lo de que é melhor, mais lucrativo, ser um redator de propaganda. 




Se você é jovem e promissor cirurgião plástico, com projetos de especialização no exterior, não faltará quem o convide para sócio de uma dessas empresinhas de medicina privada lá onde o diabo perdeu as botas. Se mesmo assim você se mantiver fiel ao seu daimon, à sua lenda pessoal e não arredar pé de seu destino, a invisibilidade torna-se então um processo irreversível. 

 


Os amigos mais chegados são os primeiros a acusar falhas em seus sistemas de radar quando o objeto a ser captado é você ou algo que lhe diz respeito. Os convites tornam-se mais escassos, o telefone já não toca como antigamente; e mencionar seu nome ou seus feitos, nas reuniões para as quais você não foi convidado, para11 (sic) a ser tomado como um gesto de imperdoável traição ao grupo. Desse momento em diante, só os inimigos falarão de você. Falarão mal, obviamente. E o mais curioso: à maioria desses "inimigos", a noventa por cento deles, você jamais falou, jamais sequer foi apresentado. Os amigos a gente escolhe, os inimigos escolhem-se a si próprios. Esta talvez seja a parte mais cruel (ou mais irônica) da história. A sua visibilidade, enquanto pessoa, transfere-se para a imagem que os outros fazem de você. Pois é ela, a sua imagem, que circula e passa a freqüentar os lugares para os quais você já não é solicitado. Não é mais você em pessoa – carne, sistema nervoso, personalidade, alma –, que se oferece à percepção do outro, mas uma espécie de correlato simbólico impregnado de tudo o que os outros lhe atribuem. Para encurtar: vale a pena manter-se fiel ao seu daimon e cumprir com resignação cada etapa de sua lenda pessoal? Acho que sim. Curitiba está cheia de pessoas invisíveis."


O que é Yoga?

 
Podemos considerar Yoga tanto como um conjunto de conhecimentos da filosofia milenar hindu quanto como uma prática. Há várias razões para uma pessoa escolher o caminho da prática de Yoga. Em termos gerais, o objetivo da Yoga é reduzir a inquietação e devolver ao indivíduo a paz e o poder pessoal que lhe são inerentes. 
Há aspectos da Yoga que nós podemos praticar intencionalmente e outros que ocorrem naturalmente como conseqüência dessa prática. As pessoas que praticam as posturas e os exercícios respiratórios relatam que a mente torna-se mais aguçada, os pensamentos menos dispersos e os níveis de energia aumentam . Há um conseqüente sentimento de continuidade entre o si-mesmo, o meio ambiente e o próximo, sentimento esse que muitos descrevem como um sentimento de unicidade. 

O que é fascinante é que as mudanças que ocorrem nas pessoas que praticam Yoga não são o resultado de considerações filosóficas ou do estudo de idéias espirituais. Simplesmente pela prática diária das posturas e da conexão entre a respiração e os movimentos do corpo alguma coisa se transforma: percepções nítidas surgem; a habilidade de concentrar-se nas tarefas pessoais e de realizar objetivos se desenvolve. As pessoas reconhecem novas maneiras de lidar com situações e emoções difíceis. Sentimentos de quietude, paz, certeza, felicidade, amor e integração acontecem espontaneamente. Em suma, há uma melhora geral nas circunstâncias da vida. Algumas vezes habilidades especialmente criativas ou habilidades de relacionamento brotam espontaneamente para enriquecer a vida dessas pessoas.





Através de um trabalho diário, começando do básico e desenvolvendo a consciência do corpo todo e de seus instrumentos de percepção- a mente e os sentidos – a Yoga fornece os meios pelos quais o homem e a mulher comuns conseguem realizar seu potencial.


Um dos grandes mestres do Yoga, Sri T. Krishnamacharya ensinou que o objetivo último da Yoga é vairagya, significando “paz” em termos de desapego ou liberdade dentro de toda a experiência. Não é um estado de desapego sem paixão, ao contrário, a experiência está integrada e forma um todo coerente dentro do contexto desse desapego ou liberdade. A pessoa age com energia total e intenção clara em meio às experiências da vida. Krishnamacharya argumentava que sem a eliminação dos apegos, que são a causa fundamental da infelicidade e da obstrução, conceitos como kundalini ou tantra não são relevantes para a Yoga . Sua explicação de kundalini era única em relação aos pontos de vista populares do termo. E ele se referia a textos sânscritos para explicar que corretamente traduzida, kundalini significa “obstrução”. E que não havia duas energias no corpo, a saber, prana e kundalini, mas havia uma só: a prática do Yoga ajuda a remover a obstrução de modo que o prana pode se mover em todas as áreas do corpo, principalmente no canal central ou nadi conhecido como sushuma. Somente quando a obstrução é removida a energia se move no corpo e a mente se conecta com a consciência. Então os fenômenos descritos nas tradições como kundalini e tantra podem ocorrer mas são sem conseqüência. Em outras palavras, o objetivo do Yoga é paz, não é poder. As práticas que tentam desenvolver o poder sem a paz podem ser destrutivas. A paz não pode ser obtida através do poder, no entanto o poder é resultado da paz . Na paz – no reconhecimento da conecção inerente do indivíduo com o universo e com todas as suas possibilidades – reside o verdadeiro poder pessoal.

de Lin Ranieri - Profª de Yoga em Curitiba-PR


Um comentário:

  1. Lindo! tocou meu coração e a minha humanidade. A perfeição dos sentidos em sua forma mais nobre está presente neste blog.

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