VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
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"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cattleya forbesii Lindley 1821



"A humildade torna-nos 
invulneráveis."

M.  Eschenbach

O lóbulo central do labelo pouco projetado, parecendo um saiote bem curtinho, junto com as características veias douradas ocultas dentro do labelo, são as principais marcas morfológicas florais desta a espécie litorânea do sul e sudeste brasileiros.


"A simplicidade é o último 
grau de sofisticação."

Leonardo da
 Vinci 

 
"Já gostei bem menos
 da C. forbesii."

Eugênio Izecksohn 

Mestre querido que Deus o mantenha
na riqueza espiritual em que
sua  alma sempre
viveu.

Inesquecível !






A cor da flor varia do verde 
 ou amarelo palha até
 o quase rosado.







As flores são simpáticas, porém mostram-se discretas
se comparadas com outras espécies deste gênero,
que são muito mais coloridas, cerosas
 e perfumadas.

Lembram bem mais a estética das
 flores do grupo dos Epidendruns
das Brassavolas e Encyclias.





Trata-se de uma espécie caiçara
muito rústica e humilde.

Fácil de reconhecer posto
que apresenta formas
muito singulares.



Aqui  apresentaremos esta espécie de orquídea
 paranaense das mais comuns, a Cattleya forbesii
 é ainda muito observada nos municípios do
 litoral , é a mais abundante espécie
 deste gênero em todo Paraná.


As orquídeas são notoriamente belas, também são igualmente difíceis de cultivar fora do conhecido aparato técnico necessário para hospedá-las bem. Plantas resistentes e tolerantes, passíveis de serem cultivadas ao ar livre e que floresçam com generosidade, serão sempre muito apreciadas pela maioria dos que não pretende gastar muito tempo, atenção e recursos com elas.





Qual o cenário observado nas casas onde não há telados ou estufas ? Certamente veremos só umas poucas orquídeas no jardim, serão essas as plantas adaptáveis naquele clima ou as adaptáveis a qualquer clima do Brasil meridional - como por exemplo o O. flexuosum. Terão sido mudas dadas por conhecidos e se mostrarão fixadas em árvores, talvez dispostas em pequenos vasos suspensos ou mesmo plantadas no chão.


Mesmo com todo desenvolvimento urbano, ainda assim as praças,
as matinhas remanescentes e os quintais das cidades do litoral
do PR, continuam a ostentar muitas C. forbesiis.

Cresce espontaneamente nas palmeiras-imperiais
 das praças do litoral paranaense.

Frase do Prof. Eugenio Izecksohn - grande zoólogo brasileiro - sobre a C. forbesii: "Já gostei bem menos da forbesii !!!! ". A singeleza e o espírito fácil da forbesii, acabam por cativar.



Diferencia-se facilmente uma planta dessa espécie de seus híbridos naturais, pelo aspecto curto e não muito expandido da projeção do lóbulo central do labelo, característica típica desta espécie. Como na foto acima a forma típica é a de uma projeção bem curta, levemente colorida de púrpura e sem maiores estreitamentos. As cores não são importantes , em híbridos as variações de forma no labelo surgem facilmente e são quase sempre observadas, a projeção do lóbulo fica sempre maior, e por isso bem evidente ao olho treinado.


Na foto acima o colorido geral é forte, mas a forma da flor é exatamente a típica. Já abaixo temos um híbrido natural bastante observado e comum entre a C. harrisoniana e C. forbesii -  a chamada C. venosa , reparem nessa foto, e em todas as outras de híbridos mais abaixo, como o lóbulo central do labelo, além de bem mais colorido, é morfologicamente maior ou mais expandido. Assim diferenciando-se do labelo típico da espécie, indicando de pronto uma mistura recente de gens

Esse exemplar híbrido da foto abaixo parece ter tido
 a C. harrisoniana como planta mãe.

Cattleya venosa - o lóbulo do  labelo é mais projetado,
reparem nas flores de perfil.

As populações mais sulinas de forbesii, talvez tenham algum grau intrínseco e já consolidado de hibridação, são plantas mais vistosas e coloridas se em comparação com aquelas de distribuição mais setentrional. Mas o labelo é de forma idêndica, varia apenas a cor .




A cor varia, mas a forma nem tanto, tanto no exemplar acima como no abaixo,
 a curtíssima projeção do lóbulo central do labelo atesta a pureza da espécie.

A cor varia do quase púrpura ao verde claro, passando pelo amarelo-palha,
mas a projeção do labelo continua bem curtinha.





Mapa da distribuição de Cattleya forbesii: do RJ até o sul de SC, sempre próxima à umidade do mar, nas matas e rochas de fachada atlântica. No PR e em SC ocorre uma variedade mais rósea.



As formas meridionais são mais coloridas.

É uma espécie campeã de resistência, também em litorais de outros estados de sua grande área de dispersão, ela continua até hoje presente e muito visível. Até mesmo a 200 km do litoral, no interior de SP, há inacreditáveis e periódicos registros de sua ocorrência, é planta notoriamente litorânea e quanto mais próximo do mar, mais abundante torna-se. Mas tal como C. intermedia, às vezes se aventura interior a dentro.


A flor não é uma orquídea bela em comparação com outras espécies próximas, é apenas simpática, mas sua floração é abundante e isso aumenta a sensação de empatia.

Por pouco não se chama Cattleya pauper ( do latim pauperis = pobre ), Vellozo ia designá-la assim no final do Séc. XVIII : Epidendrum pauper ( planta pobre sobre árvores em tradução livre ); bela não é ! O interessante e precioso de sua existência está definitivamente na sua parte vegetativa, se temos charme nas flores, sobra vigor e resistência no vegetal, reparem nas fotos, q quase sempre forma lindas plantas vegetativas.



No habitat , uma árvore derrubada com exemplares estabelecidos.







As flores variam em cor e vão desde um verde-claro até um tom de
bronze bem acentuado, passando por tons de amarelo-palha
 e por rosados mais ou menos intensos.

A rara Cattleya forbesii 
 forma áurea.

A forma totalmente albina
 é muito rara.

As do RJ e SP ficam geralmentes nos tons verdes e amarelados,
sendo esses mesmos tons não tão comuns no PR e SC, 
onde surgem as colorações mais róseas.

De todas as Cattleyas, talvez essa seja a mais fácil de ser mantida, mesmo vindo de regiões quentes e preferindo claramente essa ambientação, tolera bem o frio não congelante do inverno das altitudes brasileiras, cresce bem ao longo do ano; desde que haja umidade. Trata-se de planta de pseudobulbos pouco robustos, demonstra assim uma resistência restrita as estiagens curtas. Tenho vários dos híbridos aqui comentados sendo cultivados a céu aberto no clima frio de Curitiba, vão todos bem, entouceram rápido e não param de crescer e florescer.


Seu potencial estético aparece apenas se hibridada; vamos então conhecer as possibilidades dessa espécie nas hibridações, sem perder a facilidade de cultivo, felizmente sempre dominante nos cruzamentos e mesmo potencializada por eles:




Híbridos Naturais:

a) Cattleya krameriana ( forbesii x intermedia ) ou Cattleya x isabellae ( intermedia x forbesii )

Cattleya isabellae foi descrita como espécie natural no passado, krameriana não, são bem parecidas, demonstrando um equilibrado poder de dominância genética, independente de qual seja a planta mãe. Híbrido frequentemente observado pelos habitats do Rio de Janeiro, em especial em algumas ilhas da Baía de Angra dos Reis , as plantas se misturaram tanto, mais parecendo uma nova espécie intermediária.

Acima a C. intermedia, abaixo C. krameriana e em seguida a C. x isabellae.



Esse híbrido natural é mais comum no litoral ao sul do RJ.


b) Cattleya x venosa ( forbesii x harrisoniana)

Acima a C. harrisoniana, abaixo fotos da C. x venosa.



O labelo dos híbridos de C. forbesii torna-se mais projetado.


C. venosa ocorre mais comumente da cidade do Rio até a fronteira com o ES .


c) Cattleya dayana ( forbesii x guttata )

Acima a C. guttata






Em cima as duas versões do mesmo cruzamento aqui considerado, na primeira foto C. guttata foi provavelmente a mãe do fruto e influenciou mais a progênie; na segunda foto foi, também provavelmente, C. forbesii quem gerou o fruto e assim ganhou mais infuência fenotípica. A mancha amarelo ouro, as veias internas do labelo e a forma "forbesiana" sempre estão presente nas progênies dessa espécie, são sua marca registrada.


Acima o mesmo híbrido em questão, todavia nesse cruzamento especial, surgiu trilabelóide e mostrando as veias típicas da C. forbesii claramente estampadas nas pétalas. Bela planta e filha de forbesii !

C. forbesii x C. leopoldii 
 é bastante similar.



D) Laeliocattleya x Cypheri (L. purpurata x C. forbesii)


Registrada no Séc XIX para o litoral de SP, Laeliocattleya x Cypheri ( fotos acima ) é relativamente rara de ser vista, tanto na natureza, como em cultivo. Já o cruzamento às avessas (C. forbesii x L. purpurata ), mostrado nas fotos abaixo, talvez seja o mais belo e vigoroso dos híbridos naturais aqui tratados, as plantas são fortes, as flores são grandes e os pseudobulbos muito mais robustos, a cor das flores varia como podem observar, exposta ao sol direto tornam-se mais róseas .



Acima minhas "Cypheris" irmãs - vigorosas e coloridas. A primeira parece-se mais com purpurata, já na outra vemos sete flores num pseudobulbo em primeira floração. C. forbesii não tem ótima forma mas tem vigor excepcional. Sou fã da beleza singela desses híbridos vigorosos.









Alguns Híbridos Primários Artificiais:

a) Cattleya Alvim ( forbesii x labiata )


Acima a C. labiata


Cattleya Alvim é muita atrativa, o labelo arredondado em relação à Lc. Cypheri
 mostra a diferença no cruzamento de C. forbesii com Cattleyas, na cruza
 com Laelias o labelo mostra-se mais quadrangular.

Esse cruzamento , retratado acima, é na verdade um retrocruzamento da C. Alvim com C. forbesi ( 75% de forbesii e 25% de labiata ). Reparem o labelo bem diferenciado desse híbrido.


b) Cattleya forbesii x C. bicolor

Acima a C. bicolor
Esse híbrido, chamado C. Tom Mays, é muito variável, mas sempre com forte domínio fenotípico de C. bicolor. O exemplar da foto acima é praticamente uma C. bicolor de pétalas largas e robustíssima, com um labelo levemente trilobado provando ser híbrido. Reparem a notável mancha amarelo-ouro e as veias, herdadas da C. forbesii, bem dispostas no meio e na borda do labelo ( na foto o labelo foi puxado para baixo para melhor mostrar as características descritas ). Como se observa a Cattleya bicolor mostrou dominância muito além de qualquer outra espécie aqui mostrada.

c) Cattleya quinquecolor ( forbesii x aclandiae )

Acima a C. acklandiae



Quase sempre na primeira geração desse híbrido, as pintas da C. acklandiae tornam-se recessivas no híbrido onde pode preponderar um rosa sem pintas, retrocruzados ou cruzados entre sí, as pintas reaparecem na próxima progênie, como se vê na foto acima.

Quando C. forbesii é a mãe, o resultado desse cruzamento pode ser bem diferente, essa planta de cima, tenho outras irmãs dela exatamente iguais na minha coleção, é praticamente uma C. venosa. A planta lembra vegetativamente a C. acklandiae, é vigorosa e resistente, desde seedling já era toucerinha. É uma linda planta !
Outra planta irmã do mesmo lote, esta saiu pintada, todavia a forma é quase a mesma; não é um engano de cruzamento, é quinquecolor mesmo. Talvez usando-se a C. acklandiae como a "mãe" no cruzamento, o quadro mude, aparecendo no lote de sementeira um percentual bem maior plantas pintadas. O característico é apresentarem apenas duas flores por pseudobulbo florido, são de grande duração e sem perfume!



d) Cattleya forbesii
x C. violacea

Acima a C. violacea

C. violacea também demonstra forte dominância e equipara-se com C. forbesii, formando um híbrido de muito bom impacto visual, chama-se C. Super-Forbesii.


e) Cattleya forbesii x bowringeana

Acima a C. bowringeana


Também nesse cruzamento, chamado de C. Meadii,  houve igualdade de predominâncias e também uma ótima convergência de características. Forbesii sempre dominando na forma do labelo, veias e mancha amarela no tubo, o resto varia mas essas características estão quase sempre presentes .


f) Cattleya forbesii
x L. grandis

Acima a L. grandis

Esse híbrido deve ser muito parecido com a Lc x delicatula ( L. crispa x C. forbesii ) , este bem poderia ainda ocorrer no RJ, nos poucos locais onde as duas espécies poderiam ainda co-habitar. As duas Laelias, a crispa e a grandis, são aparentadas e bem similares em forma e tamanho; o hídrido com a primeira deve lembrar o com a segunda. A planta é monofiliada e lembra fortemente uma Laelia.



g) Laelia anceps x Cattleya forbesii




Uma planta vegetativa muito forte com pseudobulbos robustos
 e agregados, parece florífera  e adaptável.

A primeira floração foi algo decepcionante.

Mas depois de mais adulta, dois anos depois,
 a planta mostrou todo o vigor e potencial
 de floração das progenitoras .

Não confundam a vaso de plástico transparente
com Maxillaria gracilis que mostra-se na
frente da planta híbrida, que pode
ser bem vista na terceira das
foto, onde aparece com
uma única flor.



h) Cattleya forbesii x Cattleya velutina
 
Acima a C. velutina.

 
 
Este híbrido artificial chamado de C. Juno, feito primeiramente
 em 1895, é belo e de crescimento vigoroso.


i) Schombocattleya e Epicattleyas derivadas de C. forbesii


A forte dominância da C. forbesii continua a agir, dando ótimas plantas vegetativas com flores sempre mais interessantes em relação ao original potencial da espécie.


Híbridos Complexos

Nos híbridos complexos a influência da nossa heroína do crescimento e da resistência diminui, continuando vigorosa e positiva, mas já não se reconhece a explosiva vitalidade de uma espécie colonizadora do litoral do Sul e Sudeste brasileiros. As características clássicas continuam visíveis, são fortemente dominantes.



C. forbesii x Blc Amber Glow



3 comentários:

  1. Primeiro livro no Brasil sobre a Cattleya forbesii e suas formas novas: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=360020267436151&set=a.359314490840062.1073741831.334039293367582&type=1&theater


    https://www.facebook.com/CattleyaForbesiiDoValeDoItajai?ref=ts&fref=ts

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  2. Bonito blog, gosto muito de voltar e leer.

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